terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Inconstância

Faz um tempo que não escrevo
talvez tenha me perdido no caminho
correndo contra o tempo
sem descanso
buscando energia
para continuar.

Se alguém me parasse e me obrigasse a falar...
eu talvez chorasse
ou talvez não

Abri um envelope antigo,
(na verdade um saquinho de papel pardo)
letras tombadas, distantes
que diziam, usando palavras alheias:

"A coragem abandonou nossa raça. Talvez na verdade nunca a tenhamos tido. [...] Contudo, creio que se um homem devesse viver a sua vida em toda a plenitude, dar forma a todos os sentimentos, expressão a todos os pensamentos, realidade a todos os sonhos, creio que o mundo ganharia um novo impulso de alegria que nos levaria a esquecer todos os males do medievalismo e a regressar ao ideal helénico."


Lembrei-me de um tempo qualquer
quando a inocência ainda persistia
(talvez ainda persista até hoje)

Um ambiente verdejante
uma semi-arena
uma pessoa
outra pessoa
um abalo sísmico metafórico
e o tempo então se estancou

Aquilo nunca havia acontecido
não daquela forma
leves plumas bailavam no ar
enquanto a terra não parava de tremer
desde então me desconheço
vago pelos cantos
inconstante

Talvez devesse jogar fora minha bússola
minhas cartas geográficas
teorias e teoremas
e seguir meu coração
Mas sou racional demais para isso

Na verdade assumo:
tenho medo do inseguro
tengo miedo del amor y no saber amar
tenho medo de ficar só
tenho medo de dobrar a esquina e deixar alguém esperando
tenho medo de não conseguir

Por ser inconstante
vezes creio
vezes descreio
talvez algum ser racional observando meus atos diga:
"Atire-o ao mar!"
talvez um ser insano diga:
"Continue criatura..."
talvez um ser imaginário diga:
"Dê-me tua mão e caminhe comigo talvez possamos encontrar o caminho"

Talvez eu diga sim
talvez diga não
inconstante que sou.



sábado, 4 de dezembro de 2010

FIM DE PARTIDA - divulgação



Fim de Partida

Texto de Samuel Beckett

Ficha técnica:

Direção: Mara Leal

Preparação corporal e vocal: Kalassa Lemos e Paulina Caon

Dramaturgia: Mara Leal e Paulina Caon

Cenografia e Programação Visual: Emilliano Freitas

Figurino/Envelhecimento de figurinos: Catia Vianna

Iluminação: Camila Tiago

Paisagem Sonora: Andrigo de Lázaro

Produção: Elisa Villela

Elenco:

Alessandra Ramos

Carol Coutinho

Bárbara Prata

Bruna Bulkool

Daiana Soares

Eduardo Humbertto

Jordanna Alves

Luiz Sabino Júnior

Maíra Rosa

Marcos Prado

Ricardo Fiuza

Thábatta N. Ferreira

Vinícius Fonseca

Wesley Mello


Quando: de 09 a 14 de dezembro às 20h

Onde: Sala de Encenação – Bloco 3M – Campus Santa Mônica – UFU

Entrada Gratuita

Reservas pelo e-mail: fimdepartida@bol.com.br

Público limitado


Este trabalho é resultado das Disciplinas Estágio Supervisionado de Interpretação/Atuação I e Práticas Teatrais I, coordenadas pelas professoras Mara Leal, Paulina Caon e Kalassa Lemos, do Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia.


“Fracassar, fracassar mais, fracassar cada ver melhor” (Beckett)

Samuel Beckett (1906-1989), dramaturgo irlandês radicado na frança e prêmio Nobel de literatura, é exemplo da complexidade da dramaturgia do século XX. Seus textos são, ao mesmo tempo, considerados obras com forte carga autobiográfica e extremo formalismo. Vê-se em sua obra forte eco dos horrores das guerras que destruíram a Europa no século XX e que o próprio autor viveu, mas de forma depurada por intensa convenção teatral. Exemplos clássicos são Esperando Godot(1952), Fim de Partida (1956) e Dias Felizes (1961), onde personagens vivem situações limites em ambientes desoladores.


Característica peculiar de Beckett é o peso do encenador que o autor imprime em suas obras, já que suas rubricas indicam não só as ações e intenções dos personagens como definem a criação da atmosfera da cena através da luz, figurino, cenário e sonoplastia. Essa forte indicação cênica passa, como o tempo, a ir para a cena, uma vez que a partir de 1952 ele começa a dirigir vários de seus textos.

Diante de autor tão significativo, a encenação buscou, em conjunto com os vários artistas envolvidos, descobrir as relações com o absurdo do nosso cotidiano, partindo de um processo colaborativo. Além do texto Fim de Partida, há inclusões de trechos de Dias Felizes e da peça curta Vai e Vem.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

12:50 AM

Penso no que se passa
E no que se pode pensar
Os minutos se acumulam
De grão em grão
De grau em grau

O tempo passa
se passa
e me passa

O sangue circula cada vez mais devagar
E devagar mais sangue circula
Meu peito está apertado
E minha respiração fora de ritmo
Tudo causado pela falta

Do quê?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pensando na vida


Buscando em mim as respostas
Para as dúvidas frequentes

Para que a lagarta se torne borboleta é preciso um tempo de recolhimento, dela com ela mesma...



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Imaginante Inusitado...

A imagem do infinito

Um copo, com um quarto

Sobre a mesa vítrea

E o infinito


Um quarto do vidro

do infinito

No infinito de vidro

Um quarto de copo


Um copo de vidro

Na mesa do infinito

A mesa de copo

Na infinita de quarto


O Mesmo Inusitado e o Fabuloso Imaginário…

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

pequeno lamento em letras menores

se pudesse dar um passo atrás
e viajar no tempo
assim como sou hoje
sussurraria em teu ouvido
segredos inimagináveis
talvez chorasse
talvez sorrisse
mas o tempo
inimigo mortal dos homens
jamais volta atrás
quem sabe um dia
num impulso de coragem e vontade
possa olhar em teus olhos
e te dizer tudo

tudo que se passa
dentro desse músculo
que bate como um tambor

sábado, 13 de novembro de 2010

O lado negro do signo de Aquário

Para aqueles que me perseguem, este texto não é meu (cito a fonte no final). Achei muito engraçado... por isso postei do jeito que encontrei no site. Agora vocês poderão entender melhor o meu jeito Ricardo Fiuza de ser:


Detesto este signo.
Detesto mesmo.
E por que?
Porque os diabos dos aquarianos, conseguem perceber as coisas antes que todo mundo e assim, não dramatizam.
E como conseguem resolver problemas com um piscar de olhos.
Acho até, que as aquarianas não tem tpm.
O chato do aquariano tem dom de ser futurista e como tal,ele antecede fatos,situações E depois que você se estrepa ele solta: ‘Não te avisei’?
Chato..Chato.Chato.
O aquariano sempre é o mais diferente ou o mais tranquilo…
Ele se antecede as tendências, então tudo que ele disser que é bom ou vai pegar, acredite…vai pegar.
São completamente apaixonados por eletrônicos, jogos, computadores , tudo que é futurista e único.
Um aquarinao perfeito, seria o maluco beleza Raul Seixas, que falou sobre a metamorfose ambulante.
Ah, aquário tem humor, tem uma loucura interna e um desprendimento das convenções que não é tipo, que não é calculado.Eles são naturalmente assim.
Tem uma intelectualidade vibrante, são curiosos, cientistas, adoram analisar as coisas, os fatos, teorizar sobre algo ou mostrar um lado da questão que ainda não foi explorado.
Pessoas de look original, idéias anarquistas , pessoas que mudam o curso da história são de aquário.
Também ligados nas questões humanitárias…
Adoram coisas como ‘buraco de ozônio’, ou o ‘futuro do homem na era virtual’ ,ou a ‘pílula e sua função neste milênio na vida da mulher.’
ONU e NASA soam como sinfonia dos Deuses no coração aquariano.
No amor, são divertidos, desencanados , joviais, e não esquentam muito a cabeça com nada.
Nada de supérfulo, lógico.
Na verdade são dedicados ,mas nem ouse tentar prende-los.
Eles te chutam como se chuta uma bola.
As mulheres de aquário , na maioria das vezes, moram sozinhas, tem filhos sozinhas, tem seu próprio negócio , e não são nada caretas, adoro.
Mas não se esqueçam….são cientistas…
E te analizam e te observam o tempo todo, sem você perceber.
E se você é conservador ,familiar e muito moralista, esqueça este signo.
Ele veio ao mundo para agitar…
Que inveja…

Pessoas de aquário:
James Dean, Sabrina Sato, Paul Newman, Carlinhos(Mendigo), Matt Dillon, Marvio Lúcio(Carioca),John Travolta, Seal, Jennifer Aniston, Geena Davis, Mia Farrow, Mozart, Amadeus, Darwin, Galileu, Copernico, Julio Verne.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Desabafo de um tolo (ou Declaração de Amor)

desde a primeira vez que te vi
soube que seria impossível esquecer
e nem quero
mesmo que não possa te falar

sinto-me como uma criança
quando estou perto de ti
meu coração bate forte, descompassado
e o tempo é meu inimigo mortal

no entanto tenho medo
de te contar
e te perder

não sei o que se passa em mim
não sei o que se passa em ti
não sei o que se passa entre

todo conhecimento de relações humanas
se torna inútil, atrasado
quando penso em ti
meu mundo para
e também minha respiração

quando me abraça
sinto o palpitar de nossos corações
e quase saio de mim
em êxtase, pleno

ah! se eu pudesse tocar teus lábios
nem que seja por um segundo
não seria o ser mais feliz do mundo
seria a própria felicidade

...MAS FUJO...

atesto aqui minha idiotice
pois só os tolos
correm da felicidade

Aquelas palavras

Aquelas palavras são demasiadamente fortes para mim.
Apenas algumas pessoas as ouviram de minha boca...
talvez umas 4 ou 5.
Quem ouviu sabe que foi de verdade.

Desculpe-me
mas não posso me contradizer
Prefiro magoar dizendo a verdade
que mentir
tentando fazer-lhe feliz.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

queria te falar

Se soubesses o que se passa
Mas tenho medo
Se soubesses o que sinto...

Minha mente se perde
Num emaranhado
Luzes estroboscópicas
Vazios
Suspiros
As lágrimas vêm
até quase transbordar
E voltam
para o lugar de onde vieram

E tudo isso me impede de te tocar,
Porque nem mais sei o que sou
E te tocar poderia ferir-te
(ou ferir-me)

Perdido em mim mesmo
caminho
Em busca...




P.S.: Assim que encontrar retornarei, cansado. Tomarei um banho com sais e curarei meus ferimentos... esperando pela próxima aventura. Porque viver é se aventurar. Enfrentar a si mesmo, o maior desafio...

Que os deuses me protejam!!!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dona dos Enigmas

Senhorita, dona de melífluas palavras,
Traz em seu chapéu
lembranças de um tempo
ou um espaço qualquer.

Chegou até mim sem dizer palavra
E cada silêncio me encantou.
(Toda palavra era desnecessária.)

Quando passa,
causa em mim um turbilhão.

Traz em seu olhar os enigmas
De quem viveu muitas coisas
Ou, talvez, de quem se fechou
Tentando se esquecer.

Só os corajosos podem decifrar
Os enigmas que carrega
Atrás de seus olhos
Pois para isso é preciso fitá-los.

Dona dos enigmas...
Não se ria de mim...
(só isso lhe peço!)
Porque me encantas dessa maneira?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Viagem Astral

Num momento de devaneio
Ventos solares se passam em mim.
Um movimento elétrico desencadeia
Milhões de pequenas sensações,
Dentro e fora...
Viajo nas asas do vento
Para o país dos sonhos onde vivem os encantados,
E me encanto.
Retorno e todos pensam que dormi, vaguei ou me desliguei.
Mas somente os que sonham podem saber...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pequena convulsão poética nº 1

Queria escrever...
mas meu pensamento vaga pelos cantos,
inconstante.
Como uma brisa, às vezes como um vendaval.
Fico atônito, atômico...
associando o universo a caixinhas de música,
salada de frutas com o fundo do oceano,
farelo de pão a estrelas cadentes.
Tendo pequenas convulsões poéticas...
Será que minha mente é assim tão complexa,
que nem mesmo eu consigo acompanhá-la?
Ou é porque sou criança o suficiente?

Desejo de hoje: balinhas 5 com sabores em camadas. (Alguém tem o contato de Willy Wonka?)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

poema sensitivo

pequenas estrelas pululavam em meu ser
(ou não ser)
pulsavam...
milhares de pequenas sensações
se passavam em mim
milhões de pequenos pensamentos
brotavam em minha mente
cantigas de outros tempos
há muito guardadas
na memória, amareladas:
uma pétala, um cristal, um colar,
uma máscara,
um acorde...
pequenos fragmentos de mim
mesmo
no tempo e no espaço indefinido

...em meio às lembranças
do passado e projetos do porvir
vou tentando me encontrar...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Da Fuga

Federico Garcia Lorca


Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém-cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pensamentos pulsáteis

Cada vez entendo menos o que se passa aqui dentro...
Quero e ao mesmo tempo não quero...
Cansado de caminhar...
só...
Mas sem saber se quero continuar...
junto...
Dizem por aí que ouvem e percebem
Mas não sei...

Alguém me empresta um estetoscópio?

Esse escrito é isso,
apenas isso, sem mensagem nem interpretação,
Se não entender é porque não era
Para entender:

A mente humana é um abacaxi verde, sabor hortelã.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Coreografia




Esse vídeo é muito bom... reparem na expressão facial das pessoas...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Elementar

Irei sempre onde o vento faz a curva
para buscar inspiração para meu trabalho

Irei também ao fundo dos mares
ouvir o canto das sereias

Caminharei léguas pelos recantos longínquos
da terra, recolhendo pequenos seixos

Guiado pelo fogo que arde em meu peito

Voltarei cansado,
porém com toda a força das experiências
serei sábio
pois a Terra, o Fogo, a Água e o Ar
habitarão em mim.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Teatro - The flash and crash days


Gerald Thomas '" The Flash and Crash Days "




Olá pessoal,
Assistam e comentem.

Detalhe: a atriz deitada no chão é ninguém menos que Fernanda Montenegro.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Filho da véia

Sou filho da véia ô
E eu não pego nada
A véia têm força, ô
Na encruzilhada

Não bati mais meu carro
Tem sempre uma grana e mulher de montão
Tô sempre coberto dos pés à cabeça
Nego me encosta cai duro no chão
Com sete pitada da sua cachimba
Marafa e dendê
Um banho de arruda todinho cruzado
Na minha horta só tem que chover

Quem quizer que acredite
Ou então deixe de acreditar
A força que ela me deu
Só ela é quem pode tirar

Venço e não sou vencido
Aqui neste reino e em qualquer lugar
Os zóio de inveja de boi mandigueiro
A véia levou pro fundo do mar.


*Então, vai encarar?

sábado, 4 de setembro de 2010

Pessoas fabulosamente imaginárias: Thiago Pethit



Descobri por acaso esse maravilhoso cantor: Thiago Pethit, que abre a série "Pessoas Fabulosamente Imaginárias"
Sua música é daquele tipo que nos leva para outros lugares... geradora de vagares, devaneios, pensamentos borboletantes e suspiros poéticos.
O artista cria a partir de seu próprio universo e não está descolado de sua obra, por isso, creio que ele seja uma pessoa apaixonada...
Me identifiquei muito com suas canções...
Acredito ser ele uma pessoa fabulosamente imaginária...

Isso nos mostra que o Brasil não produz só porcaria. Isso não é um elogio aos governantes e sim aos artistas que batalham, lutam para fazer aquilo que acreditam...

Força Pethit!!!


Quem se interessou pode baixar suas músicas no site: 4shraed.com

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O que é Arte? *

Definir Arte é uma tarefa um tanto quanto desafiadora e pessoal, pois não existe definição única e incontestável sobre o assunto. Tentarei ser breve, pois acho impossível esgotar o assunto. Sigo, então, caminhando pelos limites imprecisos da Arte.

Os primeiros objetos de arte surgiram não para decorar, mas na atentativa de controlar as forças da natureza, nessse sentido, arte e religião nascem da mesma matriz, a tentativa de explicar o homem, o mundo à sua volta e religá-lo a uma idéia de princípio. Notamos que o nascimento da Arte de diferentes povos está intimamente ligada à sua respectiva mitologia.

Arte é uma das formas mais apuradas da expressão humana. Digo apurada não no sentido de melhor ou mais bonita e sim enquanto elaboração, pois passa antes pela subjetividade do artista, que empresta seu olhar da realidade para a obra e, consequentemente, para o observador. Com isso posso afirmar que ser artista é uma atitude, uma forma de se colocar no mundo e para o mundo. Não é uma tarefa fácil.

Arte é aquilo que promove o encontro do Eu com o Outro. É também a relação que existe entre os dois. É aquilo que nos toca e o que pode nos transformar de alguma maneira. A Arte expressa nossas sensações e sentimentos, do mais superficial ao mais profundo. Para entender a Arte não é preciso atentar-se para o grandioso e sim para os pequenos detalhes.

A função da arte não é retratar o mundo como ele é, mas retratar a visão que o artista, a sociedade ou um grupo de pessoas tem da realidade de uma época. Nesse sentido, posso afirmar que o Teatro é a mais política das artes, pois está direta e indissociavelmente ligada ao momento histórico: os textos de Shakespeare dizem muito sobre a época em que foram escritos, assim como só se pode compreender os textos de Eurípides a partir do pensamento da época em que ele escreve. Analizando uma obra de arte de determinado período pode-se tirar conclusões sobre a realidade do artista, da época e da sociedade em questão.

Concluimos que a Arte pode ser muitas coisas: reflexão, representação do belo, maneira de se colocar no mundo, negação da realidade, crítica, tentativa de explicação, subjetividade, política...

E a sua Arte, o que é?


* texto de minha autoria para o blog Grupo Teatral Sol. Achei interessante postar aqui também.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pensamentos Borboletantes




Pensamentos borboletantes
borbulham.
Minha mente bamboleante
borbulheteia...

Borboletas borbulham
borbolentas...
borborrápidas...
20km/h... nada mais.

Tenho borboletas coloridas
na cabeça [dentro]
Mil matizes colorantes
por onde vaga o pensamento.

Em minha aura
borboletas áureas
como a luz do Sol

Por onde passo, na rua
borboletas prateadas
como a luz da Lua

Meus pés, leves,
borboletas amortecem
No peito uma apenas, vermelha,
Esperando outra que a complete...





terça-feira, 31 de agosto de 2010

Manda chuva!


Na mão direita tem uma roseira
Que dá flor na primavera...

Primavera, chega logo, por favor
Não aguento mais esse calor,
essa secura...

Mas enquanto a chuva não chega,
o soro fisiológico de cada dia,
nos dai hoje.

Amém


Meus momentos 2 (+ fotos da webcam)



Olá Mundo,Hoje meu nariz acordou muito expressivo e decidiu que queria ser modelo fotográfico.
Ah!!! só o meu nariz mesmo...
Liguei a webcam e tirei essas photinhos aí:






sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Complicar pra quê?

Na última segunda feira estava conversando com um amigo (Marcos) que me disse certas coisas que ficaram reverberando em mim...
Ele fez a seguinte pergunta: "Qual a diferença entre o azul e o vermelho?"
E depois de alguns segundos respondeu: "A diferença é que o azul é mais azul e o vermelho é mais vermelho."

Pensei, pensei e cheguei a uma simples reflexão: Existem coisas que são muito simples e a gente insiste em complicar... Descompliquemos!

Como diria Anton Arrufat através de uma de suas personagens: "Deixemos as definições e comamos os guanábanos."


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A história do mexilhãozinho feio



Era uma vez um mexilhãozinho feio...
Ele era tão feio, mas tão feio, que todo mundo morreu.
Fim!

Tentativa


Queria que vissem quem sou

O que sou,

Como sou


Abri meu peito ao meio dia

De um dia qualquer,

Memorável dia



Não entenderam

Acharam muito contemporâneo

De uma natureza barroca,

levemente surrealista

(alguns diriam expressionista, outros, melhor nem comentar)


Definitivamente,

Não compreenderam

Uni peles e músculos

E dei dolorosos pontos...


Em processo de cicatrização!



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Gerador de nome de pobre

Muito engraçado esse site que encontrei... não me perguntem como!!!

Já pensou como seria seu nome se você fosse pobre?
Clique aqui e descubra o seu nome e ainda o nome do pai e da mãe, de acordo com o nível de pobreza.

O meu ficou assim: Waldecyr Uélinto Róliudi da Silva


Boa diversão!
***Não esqueça de comentar... colocando seu nome de pobre.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Drama de Angélica

Alvarenga & Ranchinho




Ouve meu cântico quase sem ritmo
Que a voz de um tísico magro esquelético...
Poesia épica em forma esdrúxula
Feita sem métrica com rima rápida...

Amei Angélica mulher anêmica
De cores pálidas e gestos tímidos...
Era maligna e tinha ímpetos
De fazer cócegas no meu esôfago...

Em noite frígida fomos ao Lírico
Ouvir o músico pianista célebre...
Soprava o zéfiro ventinho úmido
Então Angélica ficou asmática...

Fomos ao médico de muita clínica
Com muita prática e preço módico...
Depois do inquérito descobre o clínico
O mal atávico mal sifilítico...

Mandou-me célere comprar noz vômica
E ácido cítrico para o seu fígado...
O farmacêutico mocinho estúpido
Errou na fórmula ez despropósito...

Não tendo escrúpulo deu-me sem rótulo
Ácido fênico e ácido prússico...
Corri mui lépido mais de um quilômetro
Num bonde elétrico de força múltipla...

O dia cálido deixou-me tépido
Achei Angélica já toda trêmula...
A terapêutica dose alopática
Lhe dei em xícara de ferro ágate...

Tomou num folego triste e bucólica
Esta estrambólica droga fatídica...
Caiu no esôfago deixou-a lívida
Dando-lhe cólica e morte trágica...

O pai de Angélica chefe do tráfego
Homem carnívoro ficou perplexo...
Por ser estrábico usava óculos:
Um vidro côncavo o outro convexo...

Morreu Angélica de um modo lúgubre
Moléstia crônica levou-a ao túmulo...
Foi feita a autópsia todos os médicos
Foram unânimes no diagnóstico...

Fiz-lhe um sarcófago assaz artístico
Todo de mármore da cor do ébano...
E sobre o túmulo uma estatística
Coisa metódica como Os Lusíadas...

E numa lápide paralelepípedo
Pus esse dístico terno e simbólico:

"Cá jas Angélica
Moça hiperbólica
Beleza Helênica
Morreu de cólica!"

SÊ INTEIRO

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive


(Ricardo Reis)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

+ Coisas que encontro por aí

Fabuloso Imaginário transmutado pela cor

Como já se pode notar, esse espaço ganha a partir de hoje novas cores...

Acho que agora sim está mais de acordo com meu imaginário fabuloso e com a famosa expressão que pode nos levar para onde quizermos:

"IMAGINA..."


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sem pretensão

Se Freud não explicar,
Eu explico.
(Do meu jeito)

Isso é um Poema?

Na beira da estrada deixei a bicicleta
Amarela
quando a pedra caiu na água...
nasceu um pé de abacate

Os passaros passavam
Os bois boiavam

– Por que , bicicleta amarela, não revelas o que tu és?
– Se vieres de mansinho a ti revelarei
Sou aquilo que tu era, aquilo que um dia serei
Sereia de pedra molhada
Quando o pé de abacate nasceu.

Pedra + água = pé de abacate
Seria uma semente a pedra?

Pedra molhada = sereia
Seria a sereia um pé de abacate?

Seja como for,
A bicicleta
Amarela
É do Samuel

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Saiba

Composição: Arnaldo Antunes

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você

A libertação de Prometeu

Heiner Müller



Prometeu, que entregou o raio aos homens,
mas não lhes ensinou
como usá-lo contra os deuses,
porque participava das refeições dos deuses,
as quais,
divididas com os homens,
ficariam menos abundantes,
foi, por causa da sua omissão,
por ordem dos deuses,
por Efesto, o ferreiro,
fixado ao Cáucaso,
onde uma águia de cabeça de cão
comia diariamente
do seu fígado, que crescia sem cessar.
A águia, que o tomou por um pedaço
de rocha
parcialmente comestível,
capaz de pequenos movimentos
e de cantigas dissonantes
especialmente quando se comia dela,
defecou também sobre ele.
As fezes eram seu alimento.
Ele as passava adiante,
transformadas em suas próprias fezes,
para a pedra debaixo de si,
de maneira que,
três mil anos depois,
quando Héracles, o seu libertador,
subia a montanha despovoada,
já podia enxergar o algemado,
refletindo o brilho alvo das fezes da ave,
de uma longa distância,
mas,
repelido repetidamente
pelo muro do fedor,
circunvolteou a montanha por mais três mil anos,
enquanto a cabeça de cão
continuava a comer o fígado do algemado
e o alimentava com suas fezes,
de maneira
que o fedor aumentava
na mesma medida
em que o liberador se acostumava a ele.
Finalmente,
beneficiado
por uma chuva
que durou quinhentos anos,
Héracles pôde se aproximar
a uma distância de tiro.
Neste procedimento, ele tapava o nariz com uma mão.
Três vezes não acertou a águia
porque ele,
atordoado pela onda do fedor,
que caía sobre ele
quando tirava a mão do nariz
para retesar o arco,
fechava os olhos involuntariamente.
A terceira flecha feriu o algemado levemente no pé esquerdo,
a quarta matou a águia.
Contam
que Prometeu chorava alto por causa da ave,
sua companheira de três mil anos
e seu sustento por duas vezes mil.
Devo comer as suas flechas,
ele gritava,
esquecendo de que conheceria outros alimentos:
Você sabe voar,
camponês,
com seus pés de bosta?
E ele vomitava
por causa do cheiro do estábulo que se fixara em Héracles
desde que ele limpou os estábulos de Augias,
porque a bosta fedia até os céus.
Coma a águia, disse Héracles,
mas Prometeu não conseguia captar
o sentido de suas palavras.
Também sabia muito bem
que a águia fora a sua última ligação com os deuses,
e que suas bicadas diárias
eram a memória deles nele.
Mais ágil do que nunca em suas correntes,
ele xingou seu libertador de assassino,
e tentou cuspir em sua cara.
Héracles,
curvando-se de nojo,
procurava enquanto isso as algemas
com as quais o furioso estava ligado a sua prisão.
O tempo, o clima e as fezes haviam tornado
carne e metal indistinguíveis
e ambos da pedra.
Afrouxados pelos movimentos violentos do algemado,
eles tornaram-se, então, reconhecíveis.
Constatou-se que eles foram corroídos pela ferrugem.
Somente no sexo a corrente juntou-se à carne,
porque Prometeu, ao menos
nos primeiro dois mil anos na pedra,
de vez em quando ainda se masturbava.
Mais tarde,
provavelmente
ele também esquecera o seu sexo.
Da libertação ficou uma cicatriz.
Facilmente
Prometeu teria podido libertar-se, ele mesmo,
caso não tivesse tido medo da águia,
sem armas e exausto dos séculos
como estava.
Que ele tinha mais medo da liberdade
do que da ave,
mostra seu comportamento durante a libertação.
Gritando e espumando de raiva,
com dentes e unhas
defendeu suas correntes
contra a investida do libertador.
Liberado,
de quatro sobre as mãos e os joelhos
chorando na tortura do movimento
com seus membros entorpecidos
ele gritou por um lugar tranquilo na pedra,
debaixo das asas da águia,
sem nenhuma mudança do local
além das decretadas pelos deuses
através de terremotos
ocasionais.
Mesmo quando já podia andar erguido
opôs-se
à descida
como um ator
que não quer sair de seu palco.
Héracles teve de carregá-lo nos ombros
montanha abaixo.
Mais três mil anos demorou a descida até os homens.
Enquanto os deuses arrancavam a montanha do chão,
de maneira que a descida
parecia mais uma queda
por causa do turbilhão das pedras,
Héracles carregava sua presa preciosa,
aconchegada a seu peito, como uma criança,
para que não sofresse danos.
Pendurado no pescoço do libertador,
Prometeu indicava-lhe a direção dos projéteis,
com voz baixa,
de modo que eles puderam evitar a maioria deles.
Nesse entretempo ele reafirmava,
gritando alto contra o céu
escurecido pelo turbilhão da pedras,
a sua inocência da libertação.
Seguiu-se o suicídio dos deuses.
Um a um, jogavam-se do seu céu,
sobre as costas de Héracles
e esmagavam-se nas pedras.
Prometeu esforçou-se
para voltar a seu lugar no ombro do libertador,
e assumiu a postura do vencedor,
que sobre o cavalo encharcado de suor
cavalga de encontro ao júbilo da população.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sashimi

Ontem, aniversário de um grande amigo, fomos comer num resturante de comida japonesa.
[Recomendo]
Como diz uma amiga nossa,comemos um ai-kissopa e pela 1ª vez comi o tal sashimi [o famoso peixe cru].
É uma sensação única, só quem experimentou sabe.

O primeiro pedaço é tenso... no segundo você já se acostuma e começa a apreciar os sabores, os condimentos... quando você começa a gostar do negócio... acaba.
O pior de tudo é comer com aqueles pauzinhos... mas a gente aprende...
Que venham os próximos peixes crus!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

VIII

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas…
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
«Se é que ele as criou, do que duvido» –
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos

terça-feira, 13 de julho de 2010

Depois de séculos...

Desculpa aí pessoal que persegue este blog...
Depois de séculos sem escrever, volto a publicar neste espaço que esteve abandonado às moscas.
Espero, agora, manter uma regularidade de postagens.

Axé.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Yann Tiersen - Monochrome


Anyway, I can try
Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.

I am pilling up some unread books under my bed
And I really think I'll never read again.

No concentration,
Just a white disorder
Everywhere around me,
You know I'm so tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

Sometimes I search an event
Or something to remind,
But I've really got nothing in mind.

Sometimes I open the windows
And listen people walking in the down streets.
There is a life out there.

But don't be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.

Anyway, I can try
Anything it's the same circle
That leads to nowhere and I'm tired now.

Anyway, I've lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I'm tired now.

But don't worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.

Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.

domingo, 16 de maio de 2010

Andando em Silêncio





Muitas vezes caminho em silêncio para perceber tudo que acontece à minha volta: todos os sons, cores, sinais...
Muitas vezes eu sonho acordado, às vezes eu durmo e nem sonho... a maioria das vezes que eu sonho, estou acordado...
Às vezes eu perco o controle dos meus pensamentos e na hora que eu vejo já estou em outro lugar...

sábado, 15 de maio de 2010

às vezes palavras alheias expressam exatamente o que queremos dizer...

[À Flor da Pele - Zeca Baleiro]

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

sábado, 8 de maio de 2010

A Pessoa é Para o que Nasce

Let The Sunshine In (Deixe o Brilho do Sol Entrar)




Nós olhamos esfomeados para outro que não pode respirar
Andamos orgulhosos com nossos casacos de inverno
Vestindo cheiros de laboratório
Encarando uma nação que morre
De uma estória escrita que é real
Ouvindo as novas mentiras contadas
Com supremas visões de músicas solitárias

Em algum lugar
Dentro de alguma coisa há um pouco de gratidão
Quem sabe o que nos espera em frente a nossas vidas
Eu baseio meu futuro em filmes no espaço
O silêncio me conta em segredo
Tudo
Tudo

Manchester Inglaterra Inglaterra
Manchester Inglaterra Inglaterra
através do oceano atlântico
E eu sou um gênio, gênio
Eu acredito em Deus
E acredito que Deus acredita em Claude
Que sou eu, que sou eu, que sou eu
O resto é silêncio
O resto é silêncio
O resto é silêncio

Nós olhamos esfomeados para outro que não pode respirar
Andamos orgulhosos com nossos casacos de inverno
Vestindo cheiros de laboratório
Encarando uma nação que morre
De uma estória escrita que é real
Ouvindo as novas mentiras contadas
Com supremas visões de músicas solitárias

Cantando
Nossas mósicas do espaço em uam citara de teias de aranha
A vida está na sua volta e em você
Responda por Timothy Leary, ternamente

Deixe o brilho do sol
Deixe o brilho do sol entrar
O brilho do sol entrar...

sábado, 1 de maio de 2010

Preciso aprender a voar


Preciso desenvolver minhas asas
E aprender a voar
Seguir viagem
Nessa vida de artista.
Vida de artista
Errante e Incerta.
Para onde?
.
.
.
.
.
.
.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Prometeu





Oh Prometeu, portador do fogo!
Dá-me a coragem para ir de encontro ao meu destino, sem receios,
Como tu, quando roubaste o fogo sagrado.
Que eu seja forte para suportar as adversidades
Até que possa me libertar.
Que esta fagulha, que te custou caro
Ilumine minhas vistas e meus caminhos
Permita, que dentro de mim
Essa chama nunca se apague

Assim seja!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain





Sinopse:
Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete. Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo e é assim que encontra Dominique. Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Contudo, ainda sente falta de um grande amor.



Links para download:


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Era de Aquário




Era de Aquário

Quando a lua estiver na sétima casa
E Júpiter alinhar-se com Marte
Então a paz guiará os planetas
E o amor dirigirá as estrelas

Este é começo da Era de Aquário
A Era de Aquário
Aquário!
Aquário!

Harmonia e compreensão
Simpatia e confiança existirá
Não mais falsos ou ridículos
Sonhos vivos brilhando as visões
Revelação de cristal místicos
E a liberação da verdadeira mente
Aquarius!
Aquarius!

Quando a lua estiver na sétima casa
E júpiter alinhar-se com Marte
Então a paz guiará os planetas
E o amor dirigirá as estrelas

Este é começo da Era de Aquário
A Era de Aquário
Aquário!
Aquário!


O rei menos o reino

Augusto de Campos

Onde a Angústia roendo um não de pedra
Digere sem saber o braço esquerdo,
Me situo lavrando esse deserto
De areia areia arena céu e areia.

Este é o reino do rei que não tem reino
E que – se algo o tocar – desfaz-se em pedra.
Esta é a pedra feroz que se faz gente
- Por milagre? de mão e palma e pele.

Este é o rei e este é o reino e eu sou ambos
Soberano de mim: O-que-fui-feito,
Solitário sem sol ou solo em guerra
Comigo e contra mim e entre meus dedos.

Por isso minha voz esconde outra
Que em suas dobras desenvolve outra
Que em forma de som perde-se o Canto
Que eu sei aonde mas não ouço ouvir.

Monologando...

(...)

Estava exilado de mim mesmo, o espelho sequer refletia meu rosto, precisava me encontrar comigo mesmo.

Será que algum dia nos tornaremos Humanos?

(...)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dica de filme: SONHANDO ACORDADO




  • Ficha Técnica

  • título original:La Science des Rêves
  • gênero:Drama
  • duração:01 hs 45 min
  • ano de lançamento:2006
  • site oficial:
  • estúdio:Canal+ / Partizan / Mikado Film / Gaumont / France 3 Cinéma / TPS Star
  • distribuidora:Warner Independent Pictures / Focus Filmes
  • direção: Michel Gondry
  • roteiro:Michel Gondry
  • produção:Georges Bermann
  • música:Jean-Michel Bernard
  • fotografia:Jean-Louis Bompoint
  • direção de arte:
  • figurino:Florence Fontaine
  • edição:Juliette Welfling
  • efeitos especiais:Patizan Lab / Éclair Numérique